Entrevista ao tradutor Gabriel Álvarez Martínez

Coñecer os profesionais que integran o mundo da tradución axuda, dalgunha maneira, a dignificar o seu traballo e a apreciar as dificultades da súa actividade. Un dos nosos excelentes mediadores é Gabriel Álvarez Martínez, tradutor que destaca pola súa inusal combinación lingüística: xaponés>galego.

Gabriel Álvarez Martínez é tradutor, intérprete e doutor en Tradución e Paratradución pola Universidade de Vigo. No seu currículo cóntanse, como idiomas de traballo, o galego, o castelán, o inglés, o francés, o xaponés e mais o portugués.

Traduciu literatura para a Editorial Galaxia: de Haruki Murakami verteu ao galego, cabo de Mona Imai, as obras Tras do solpor, Do que estou a falar cando falo de correr 1Q84 (Libros 1, 2 e 3). Para Rinoceronte Editora traduciu, tamén con Imai, Eloxio da sombra de Jun’ichirô Tanizaki. Así mesmo, asinou a versión castelá das últimas obras de Murakami (Los años de peregrinación del chico sin color, Caminando hasta KobeHombres sin mujeres…), Recuerdos de un callejón sin salida de Banana Yoshimoto e Pink de Tomoyuki Hoshino.

Nestes tempos, traballa nas versións españolas de varios mangas e outros produtos derivados destes na empresa DARUMA Serveis Lingüistics SL. Doutorouse na Universidade de Vigo coa súa tese «O tratamento dos ideofones japoneses na traduçao de manga», dirixida polo profesor Neal Baxter. 

É un pracer e un orgullo contar con el no DERRUBANDO ISOGLOSAS. Grazas, Gabriel!

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© Faro de Vigo S.A.

Como comezaches no mundo da tradución?

Comecei a traduzir graças a ter ganhado o concurso de traduçom da Universidade de Vigo do ano 2007 com uma traduçom do japonês para o galego do conto Rashōmon de Ryūnosuke Akutagawa. Nesse momento, graças a um membro do júri entrei em contato com a Mona Imai, uma japonesa que residia em Vigo e que também estava a traduzir para o galego, e juntos traduzimos Eloxio da sombra (Rinoceronte Editora), de Jun’ichirō Tanizaki. Nessa altura, eu estava a estudar também chinês no Centro de Línguas da universidade, onde coincidim com a Maria Alonso Seisdedos. Foi ela quem me comunicou que na Editorial Galaxia estavam a procurar alguém que traduzisse Murakami para o galego. Esse foi o início.

Es un dos poucos profesionais que traducen na combinación lingüística xaponés-galego. Consideras que existe algún tipo de dificultade que non se presenta noutras combinacións?

A distância entre as línguas fai em muitos casos com que o leque de possíveis soluçons para uma palavra ou frase seja muito mais amplo do que entre línguas próximas, onde se está mais condicionado polas escolhas lexicais do original. Isso pode ser positivo às vezes, mas (no meu caso) também é causa de muita indecisom.

Por outro lado, a cultura japonesa é de alto contexto (usando a terminologia do antropólogo Edward Hall) e isso reflete-se na língua, que às vezes se revela ambígua para nós. Há casos em que nom é fácil saber quem é que está a falar/pensar ou se uma frase está em primeira ou terceira pessoa.

Outros pontos som a mistura de formas verbais habitualmente associadas ao tempo presente quando se está a falar do passado, a riqueza de registros lingüísticos (por exemplo, existem muitos pronomes de primeira pessoa do singular em funçom do sexo, da idade e do status do falante/interlocutor) ou o uso frequente de ideofones.

Hai algún traballo concreto do que gozases moito ou do que te sintas especialmente orgulloso?

Em geral, quando traduzo sempre desfruto. Mas ficar totalmente satisfeito com o resultado é difícil. Sinto, em qualquer caso, que tenho melhorado e espero continuar a melhorar muito mais no futuro.

O trabalho mais árduo, polo volume da obra, foi 1Q84, que traduzim com a Mona Imai para o galego e eu só para o espanhol. Em japonês som cerca de 1500 páginas e, naquela altura, além de traduzir, também estudava e trabalhava como auxiliar de língua espanhola.

Cónstache cal foi o teu traballo máis valorado e cal, se existise, o máis criticado?

Nom sei qual é o mais valorizado, mas o mais criticado (ou do que mais críticas negativas tenho ouvido/lido) possivelmente seja 1Q84 (em concreto, a versom espanhola). Acho que tem a ver com o facto de, até esse momento, quase todas as obras do Haruki Murakami terem sido traduzidas para o espanhol por Lourdes Porta. A mudança de tradutor nom agradou a toda a gente. Nessas críticas, porém, a maioria das vezes é difícil discernir os aspetos diretamente relacionados com a traduçom e os aspetos relativos ao conteúdo e estilo da obra ou ao uso da língua alvo.

1Q84

© EDITORIAL GALAXIA, S.A.

Como se lida coa adaptación das referencias culturais no proceso da tradución? 

Obviamente, depende do tipo de texto que estejamos a traduzir. No caso da literatura, pessoalmente, gosto de conservar essas referências no texto-alvo e, se for necessário, explicá-las por meio duma nota de rodapé ou fornecer uma pequena pista que facilite a sua compreensom. Mas também há gente que nom gosta de encontrar notas, porque atrapalham o ritmo da leitura.

Cales son os puntos clave que definirían, para ti,  unha boa tradución?

Acho o conceito de “boa traduçom” bastante relativo. Penso que depende de muitíssimos fatores, mas, como leitor ou consumidor dessa traduçom, quero que seja fiel ao texto original, sem cortes, nem “domesticaçons” desnecessárias. Obviamente, também é necessária certa naturalidade na língua de chegada (desde que a língua do texto de partida seja natural, claro). Nesse sentido, cumpre ter em conta que a tradutora/tradutor nem sempre é a única responsável das decisons tomadas. A equipa editorial também intervém no texto e, por vezes, há decisons de tipo comercial e doutra índole (na versom estadunidense de Dance dance dance, de Haruki Murakami, por exemplo, faltam 16 páginas do primeiro capítulo).

Coidas que a formación universitaria de profesionais da tradución e a interpretación en linguas non habituais —como é o caso do xaponés— é hoxe máis necesaria ca nunca? 

Penso que é necessária, facilitaria a profissionalizaçom da gente que trabalha ou quer trabalhar com outras línguas e abriria novos mercados ao alunado. Nesse sentido, acho que a oferta da nossa universidade (a de Vigo) é muito escassa.

A animación xaponesa é un deses produtos que, á hora de se traducir ao galego, non experimentou un proceso de tradución desde a lingua orixinal. Ti, como coñecedor das dúas linguas e culturas, detectas eivas graves?

Ainda que os desenhos animados japoneses que emitiam na TVG fôrom mui importantes na minha infância e juventude, hoje em dia quase nom vejo anime. Agora que sei japonês, talvez pudesse detectar eivas, quem sabe.

É curioso como se adapta a pronúncia dos nomes das personagens de anime muitas vezes em galego (suponho que para que seja mais fácil). Por exemplo, Tenshinhan é em galego Tenshian ou Mutenrōshi é Mutenroi. Por outro lado, muitos desses nomes que saem em Dragon Ball tenhem um significado ou estám baseados em elementos culturais desconhecidos para nós que se perdem. Por exemplo, 天津飯tenshin-han é o nome dum prato sino-japonês (parece chinês, mas realmente foi inventado no Japom).

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© Gabriel Álvarez

O manga xaponés posúe unhas cualidades de seu que o fan ser único dentro da banda deseñada. Ademais, nas últimas décadas, aumentou moito a súa sona e o seu consumo. Que debe ter en conta un bo tradutor á hora de mediar con esta clase de produtos?

Eu comecei a traduzir manga há uns meses e, polo que estou a ver, em geral abunda o diálogo e a linguagem coloquial. Por tanto, é preciso ser capaz de produzir diálogo “fresco” na língua alvo.

Outro recurso frequente no manga é o uso da elipse. Como comentava mais acima, a cultura japonesa é de alto contexto e muitas cousas som facilmente subentendidas, mas em galego ou noutras línguas tenhem de ser explicitadas.

Também é preciso levarmos em conta que na banda desenhada a imagem é tam importante como a palavra. A relaçom entre estes dous fatores é amiúdo indissociável, e um elemento pode determinar o sentido do outro.

Por último, outro dos elementos mais complicados (e que tratei na minha tese de doutoramento) é o ideofone (tipo de palavras que inclui o que comumente denominamos “onomatopeia”), pola sua abundância e variedade na língua japonesa.

Entre os fans do manga, existe unha gran polémica ao redor de se se deben respectar ou non na tradución os famosos honoríficos da lingua nipoa (-san, -kun, -chan…). Cal é a túa opinión ao respecto?

Quanto ao uso dos honoríficos, em geral procuro evitá-los e, às vezes, tento refletir o registro por outros meios. Mas há casos em que é difícil ou impossível saber qual é o nome completo duma personagem. Por exemplo, Shin-chan pode vir de Shinnosuke, mas também de Shintarô, Shin’ichi ou outro nome que comece por “Shin”.

En caso de se contemplar a creación dun mercado de manga en galego —semellante, por exemplo, ao que existe en catalán—, que consideracións cres que os editores deben ter en conta? Como enfocarías ti este suposto mercado? 

Penso que poderiam tentar atrair por um lado a chamada «geraçom Xabarín». A maioria dos desenhos animados japoneses emitidos na TVG na década de 1990 e no início deste século surgiu de manga que foi adaptado ao anime.

Por outro lado, existem muitíssimas obras de grande qualidade artística e narrativa. Além de séries longas, cuja publicaçom poderia ser economicamente mais custosa e arriscada, há muitas obras interessantes de um só volume. Nesse sentido, interessa também traduzir obras que nom estejam traduzidas para o espanhol.

É pena que nom se traduza manga para o galego (até onde eu sei, a única obra publicada é Bícame, profe, de Edicións do Cumio, em traduçom indireta). Tenho contatado com alguma editora no passado e todas respondem que «é complicado».

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© Cruncyroll

Estamos ante un sistema en vías de normalización como o galego. Iso supón unha gran responsabilidade? 

Acho que seria um elemento mais a contribuir nesse processo de normalizaçom. Os produtos culturais voltados para crianças e jovens som indispensáveis para garantir a sobrevivência da língua.

Consideras que o coñecemento que se ten en Galiza do pobo xaponés é amplo?

Nom. É evidente que há mais conhecimento do que havia duas décadas atrás, mas é apenas a ponta do iceberg. O mesmo acontece no sentido inverso: no Japom quase nom se sabe nada da Galiza. O mais conhecido é o caminho de Santiago e o polvo à feira.

De teres a ocasión de decidilo, que obra xaponesa che gustaría traducir ao galego?

Por exemplo, qualquer manga de Kazuo Umezu, um filme da série Otoko wa tsurai yo (“É duro ser homem”) ou contos do escritor Edogawa Ranpô.

E xa para rematar… Cal é a parte do teu traballo coa que gozas máis? 

O próprio processo de traduzir e brincar com a língua, poder conhecer novas obras, aprender sobre a língua japonesa e sobre as línguas de chegada e adquirir novos conhecimentos em geral.

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Un comentario en “Entrevista ao tradutor Gabriel Álvarez Martínez

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